'Banco de DNA' das balas auxilia polícia em 9 mil investigações; veja como funciona

  • 30/11/2025
(Foto: Reprodução)
Banco de 'DNA das balas' auxilia polícias em 9 mil investigações Uma ferramenta de perícia considerada uma espécie de "banco de DNA" das balas usadas em crimes tem ajudado polícias de todo o país a acelerar e concluir investigações. São quase dez mil inquéritos auxiliados pelo Sinab (Sistema Nacional de Análise Balística), que fez com que delegados e policiais civis conseguissem agregar provas ou encaminhar seus trabalhos para encontrar criminosos. Equipamento do Sistema Nacional de Análise Balística em funcionamento Reprodução "Com as ligações encontradas, 9.066 desses inquéritos já foram auxiliados, recebendo um ou mais laudos ou Informação para avançarem na solução do caso", afirma o perito Lehi Sudy, responsável pelo comitê gestor do Sinab. Tem uma sugestão de reportagem? Fale com o g1 O Banco de DNA funciona da seguinte forma: Um crime acontece; Peritos das polícias científicas ou civis dos estados coletam as provas na cena, como os materiais ligados às armas -- o armamento em si, balas, restos de projéteis e cápsulas; Parte do material é registrado no Sinab. Como cada arma deixa uma impressão única em suas balas, cada "DNA das balas" é mapeado e inserido no sistema; Com o DNA único registrado, a ferramenta busca se há conexões nos registros feitos em crimes ocorridos anteriormente. Se há similaridade, acontece uma conexão; Cada conexão criada dá indício de ligação entre os crimes e indica que eles podem ter sido cometidos com o uso das mesmas armas; Os peritos analisam para confirmar as conexões apontadas pelo sistema e se, de fato, elas batem, dão o chamado "match", para validar a prova; A prova validada é usada como elemento da investigação, seja para encontrar o autor do crime ou traçar o vínculo de alguém com uma arma usada em um crime. "O que acontece é que a impressão digital é uma crista, uma dobrinha da pele que a gente vai pintar ou escanear e formar a impressão digital. Na arma, é o que acontece quando o projétil passa sob pressão dentro do cano", detalha a perita Telma Penazzi, diretora do Laboratório de Balística do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "Qualquer imperfeição, qualquer degrauzinho, qualquer sujeira, qualquer resíduo que tem ali dentro, ele vai provocar marcas, ele vai arranhar esse projétil de alguma". Estrutura em 40 laboratórios pelo país Cada análise feita pelo Sinab alimenta o Banco Nacional de Perfis Balísticos, o BNPB, e fornece materiais disponíveis para todos os 26 estados e o Distrito Federal. Ao todo, são mais de 102 mil inserções feitas desde o início do funcionamento do Sinab, em 2022 -- a ferramenta foi autorizada em 2019, no governo de Jair Bolsonaro (PL) e implementado gradualmente até o funcionamento completo no país, em 2023, já no governo Lula (PT). Até o momento, as inserções resultaram em quase sete mil ligações confirmadas entre crimes registrados no país. Essas ligações que foram usadas, nas mais diferentes formas, como ligar uma bala a uma arma prendida com uma pessoa ou a outros casos ocorridos no estado, ou em outras regiões do país. São 40 laboratórios de balística em funcionamento atualmente pelo país, com investimento de quase R$ 124 milhões feito pelo governo federal. Enquanto a União forneceu o equipamento de análise e banca a sua manutenção mensal, estimada em R$ 300 mil, os estados ficam responsáveis pelos profissionais e o restante da estrutura necessária para as perícias. Agilidade nas investigações Peritos relataram ao g1 os benefícios do Sinab e exemplificam a tarefa de encontrar uma agulha em um palheiro. Enquanto antes o serviço era feito manualmente pelos profissionais, agora o Sinab vasculha todo o palheiro e indica onde provavelmente estão os locais em que é possível encontrar a agulha. "O Sinab revolucionou os exames da balística. Não dá para dizer menos do que isso", diz o perito da Polícia Científica do Paraná, Rafael Silva, que administra o Sinab no estado. "Era muito frustrante, porque você fazia um, dois, três exames... Chegamos a fazer sete exames de um mesmo material, com armas diferentes e todas negativas", relembra. Com o Sinab, o sinal positivo já adianta a investigação e, se for negativo, vira um registro no sistema que pode ser vinculado a casos já registrados ou que serão inseridos futuramente. Os laudos ajudam a fazer essa conexão. "Esse laudo não é esperado pela equipe de investigação e está trazendo uma informação nova, que está dizendo, por exemplo, que um crime e outro foram cometidos com a mesma arma. E daí dá uma oportunidade para as equipes se falarem e trocarem informações dos casos", conta Silva. Para Telma Penazzi, o sistema ajudou também a gerar receio nos criminosos, por saberem que é possível encontrar as correlações de armas que circulam o país com grupos criminosos. "O mundo da balística ficou menor, sabe? A gente acaba tendo contato com todos os estados. A gente conhece todo mundo e tem um contato quase que diário em um grupo com todos os responsáveis pelos 40 laboratórios. Então, estamos sempre conversando." Encerramento dos acordos Para colocar em funcionamento cada base do Sinab, o governo federal e os estados assinaram acordos válidos por cinco anos. Em julho 2026, parte dessas parcerias terá fim: casos de Goiás, Paraná, Pernambuco, Espírito Santo e Paraná. Ao g1, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que pretende renovar os convênios com os estados e que "tratativas serão iniciadas em 2026, acompanhando o período de encerramento previsto para cada instrumento em vigor". "O projeto é considerado exitoso por entregar resultados consistentes e crescentes para a investigação criminal, com aumento contínuo no número de inserções e de correlações realizadas pelo Banco Nacional de Perfis Balísticos", diz a nota do ministério, que admite haver potencial para melhorias. "Apesar disso, a pasta reconhece a disparidade regional na utilização das ferramentas, influenciada por fatores como estrutura local, efetivo especializado, priorização institucional, condições de conectividade e desafios de implantação em determinados estados", diz. Ferramenta do Sistema Nacional de Análise Balística em funcionamento Reprodução

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/11/30/banco-de-dna-das-balas-auxilia-policia-em-9-mil-investigacoes-veja-como-funciona.ghtml


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